quarta-feira, 15 de julho de 2015

Sobre seres invisibilizados e silenciados.

Lixão: local em que é depositado todo o lixo de determinadas regiões, ambiente que a maior parte da população normalmente desconhece e sente asco só de ouvir falar. Nesse mesmo local se encontram pessoas, famílias, que sempre estão sendo invisibilizados, pois quando se fala do lixão, ninguém pensa nos seres, sujeitos que constroem suas histórias naquele ambiente.
Acho que em primeiro lugar os três documentários tem uma importância social impar: mostrar que existem humanos naquele lugar para o resto da sociedade. Claramente cada documentário abordou a questão de forma bastante distinta. A abordagem que mais me chamou atenção foi o de "Boca de lixo" e "Ilha das flores" porque eles deram voz as pessoas que trabalham boa parte de seus dias no lixão, dando visibilidade e a oportunidade de contar um pouco da história de cada um, assim como suas motivações, seus desejos, sonhos...
Quando assistimos aos documentários, imagino que todos tenham passado por experiências parecidas: foi o ponto de partida de muitas reflexões, reflexões essas que geraram um tantão de questionamentos. O questionamento que ficou martelando em minha mente foi: as pessoas que ali se encontram são felizes como dizem? Estão ali porque realmente querem? E cheguei a conclusão que não dá pra tirarmos nossa vida, nossas vivências e nossa história de parametro para medir a felicidade de ninguém. É algo muito subjetivo, então eu creio que aquelas pessoas que se dizem felizes, podem de fato estar felizes conseguindo seu dinheiro todo dia e vivendo um dia de cada vez. As pessoas encontram a felicidade naquilo que elas conhecem, estão familiarizadas. O segundo questionamento me foi mais dificil de responder, talvez porque eu ainda esteja quebrando essa caixinha para enxergar além da minha visão. Mas ao que me parece não acho que esse pessoal tenha tido outra opção, ou outras oportunidades. De fato, alguns protagonistas dizem que trabalharam em casas de família mas gostavam da liberdade de não ser um "mandado". Mas então de que oportunidade estamos falando? Da oportunidade de trabalhar para cuidar da casa de outras pessoas, que muitas vezes nem perguntam como você está e estão pouco se lixando para o seu bem estar? Porque ao que me parece, isso não é uma oportunidade tão distante de ganhar sua vida trabalhando no lixão.
O problema que analisei (e possivelmente estou errada) é que as pessoas que lá estão tiveram direitos e oportunidades negados desde cedo. Não tiveram acesso a educação, nem a alimentação de qualidade. Suas histórias apesar de tão diferentes, devem ter muitas similaridades, de carência, de falta, de negligência do estado e da sociedade.

No fim, a questão é sempre muito política e social: até quando vamos negligenciar as pessoas que estão marginalizadas e fingir que elas não existem? Que elas não tem uma história pra contar?