Nesse primeiro quadrimestre tive a oportunidade de me aproximar e criar um pouco mais de intimidade com os ideais, pensamentos e teorias do grande mestre Paulo Freire no que se refere a educação básica e ao sistema educacional brasileiro.
A questão aqui agora é: e as contribuições teóricas (e práticas) freirianas no que diz respeito ao ensino superior?
Em sua obra "Pedagogia da Autonomia", Paulo Freire, aborda o ensino de uma perspectiva de que a docência é mais (muito mais) do que o depósito e a transferencia de conhecimento ao aluno. Para ele a Pedagogia da Autonomia se baseia em três alicerces básicos:
Não há docência sem discência;
Ensinar não é transferir conhecimento;
Ensinar é uma especificidade humana.
O autor basicamente quer nos passar a ideia de que para que haja o ensino e aprendizado, de fato, é necessários criar a autonomia nos seres envolvidos no processo de aprendizagem. Não dá pra se limitar o ensino ao modelo tradicional a qual estamos acostumados: o professor na frente, como detentor de todo o conhecimento e os alunos sentados, apenas recebendo e reproduzindo a informação passada. É necessários romper esse ideal de educação construído historicamente.
Para se atingir um ensino efetivo, é necessário que o professor seja uma instigador de ideias, que desperte nos educandos a curiosidade de busca pelo conhecimento, proporcionando assim, autonomia e criticidade no que diz respeito a absorção de conhecimento e informação.
Tudo isso anteriormente relatado, tem influência direta no sistema de ensino do Ensino superior.
A Universidade é quase que um complemento e uma extensão do ensino básico: acabamos entrando na educação superior e pouca coisa muda no que diz respeito à sistemática de ensino adotada: existe um mestre na frente nos passando informação e o discentes absorvendo e reproduzindo.
Para que haja mudança efetiva, precisa-se romper com essas questões tradicionais desde já, no ensino superior, principalmente nas licenciaturas, penso eu. Afinal, os licenciandos de agora, são os professores do ensino básico amanhã e reoxigenar a educação é preciso, é urgente.
quarta-feira, 26 de agosto de 2015
terça-feira, 25 de agosto de 2015
I Fórum Social da UFSB (ou como uma Universidade pode estabelecer diálogo com a sociedade)
O I Fórum Social da UFSB dividiu-se em duas etapas: as etapas regionais que ocorreram nas cidades dos três campus; E a etapa geral que ocorrerá em Porto Seguro nos dias 18 e 19 de setembro desse mesmo ano.
A etapa regional do Campus Jorge Amado aconteceu nos dias 24 e 25 de julho, reunindo acadêmicos (discentes e docentes), a sociedade civil organizada, movimento sociais e culturais para debater a nossa região, as demandas de cada segmento social/cultural e criar aproximação com os movimentos sociais da região através do diálogo, a fim de criar parcerias e propostas de apoio aos movimentos por parte da UFSB.
A programação do Fórum foi riquíssima, pois contou com mesas redondas, oficinas, rodas de diálogo além de espaços auto gestionados que discutiram assuntos pertinentes a cada segmento, pertinentes também a região e a Universidade (como por exemplo a Audiência Pública que tratou dos cursos de segundo e terceiro ciclo).
A partir disso, posso então falar do espaço que eu estive presente e me fiz delegada para a etapa geral em Porto Seguro: O segmento de juventude.
O espaço foi composto por cerca de 160 jovens da região, incluindo jovens indígenas, jovens quilombolas, jovens mulheres, jovens LGBT, jovens de assentamentos e da luta pela terra, jovens secundaristas, jovens universitários. Por isso já percebemos o quão diverso foi o espaço... E por esse motivo, nos dividimos em subgrupos.
Fomos então orientados a realizar uma atividade em grupo, com os subgrupos misturados. Dessa forma, em um grupo teríamos jovens de todos os subgrupos representados. Nessa atividade, deveríamos conversar nos grupos e pensar em 2 demandas que elegêssemos serem de urgência para a nossa juventude, e no final elegeríamos um representante de cada grupo para apresentar as propostas.
Ao meu ver, essa atividade foi bastante produtiva e garantiu a representatividade de toda a juventude, além de nos dar a voz para falarmos das nossas carências, do que sentimos falta para a juventude na região cacaueira. Além de incentivar a liderança juvenil.
No segundo dia, ocorreram as eleições para delegados. No nosso espaço, ocorreu tudo de forma muita tranquila e democrática.
E no encerramento, cada eixo teve a oportunidade de apresentar suas propostas mais votadas para todos os outros eixos e outros participantes do fórum.
Bem... Em minha opinião, o Fórum foi um exemplo de troca com a região: Nos levou para ouvirmos, mas também para escutar-nos. Para prestarmos atenção nas realidades que aqui e existem e muitas vezes ignoramos por acharmos que são realidades extremamente distantes. Serviu também para nos mostrar o quanto é importante a gente mostrar que tem voz, e para além de ter voz, temos algo a ser dito. Nos mostrou a importância de nos articularmos enquanto sociedade civil, de criarmos lideranças para fazermos nossas reivindicações.
Sou muito grata ao fórum e a UFSB por ter nos proporcionado esse rico espaço de conhecimento e debate e daqui seguimos para a etapa geral em Setembro.
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