quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Contribuições de Paulo Freire para o Ensino Superior brasileiro.

Nesse primeiro quadrimestre tive a oportunidade de me aproximar e criar um pouco mais de intimidade com os ideais, pensamentos e teorias do grande mestre Paulo Freire no que se refere a educação básica e ao sistema educacional brasileiro.
A questão aqui agora é: e as contribuições teóricas (e práticas) freirianas no que diz respeito ao ensino superior?
Em sua obra "Pedagogia da Autonomia", Paulo Freire, aborda o ensino de uma perspectiva de que a docência é mais (muito mais) do que o depósito e a transferencia de conhecimento ao aluno. Para ele a Pedagogia da Autonomia se baseia em três alicerces básicos:
Não há docência sem discência;
Ensinar não é transferir conhecimento;
Ensinar é uma especificidade humana.
O autor basicamente quer nos passar a ideia de que para que haja o ensino e aprendizado, de fato, é necessários criar a autonomia nos seres envolvidos no processo de aprendizagem. Não dá pra se limitar o ensino ao modelo tradicional a qual estamos acostumados: o professor na frente, como detentor de todo o conhecimento e os alunos sentados, apenas recebendo e reproduzindo a informação passada. É necessários romper esse ideal de educação construído historicamente.
Para se atingir um ensino efetivo, é necessário que o professor seja uma instigador de ideias, que desperte nos educandos a curiosidade de busca pelo conhecimento, proporcionando assim, autonomia e criticidade no que diz respeito a absorção de conhecimento e informação.
Tudo isso anteriormente relatado, tem influência direta no sistema de ensino do Ensino superior.
A Universidade é quase que um complemento e uma extensão do ensino básico: acabamos entrando na educação superior e pouca coisa muda no que diz respeito à sistemática de ensino adotada: existe um mestre na frente nos passando informação e o discentes absorvendo e reproduzindo.
Para que haja mudança efetiva, precisa-se romper com essas questões tradicionais desde já, no ensino superior, principalmente nas licenciaturas, penso eu. Afinal, os licenciandos de agora, são os professores do ensino básico amanhã e reoxigenar a educação é preciso, é urgente.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

I Fórum Social da UFSB (ou como uma Universidade pode estabelecer diálogo com a sociedade)

O I Fórum Social da UFSB dividiu-se em duas etapas: as etapas regionais que ocorreram nas cidades dos três campus; E a etapa geral que ocorrerá em Porto Seguro nos dias 18 e 19 de setembro desse mesmo ano. 
A etapa regional do Campus Jorge Amado aconteceu nos dias 24 e 25 de julho, reunindo acadêmicos (discentes e docentes), a sociedade civil organizada, movimento sociais e culturais para debater a nossa região, as demandas de cada segmento social/cultural e criar aproximação com os movimentos sociais da região através do diálogo, a fim de criar parcerias e propostas de apoio aos movimentos por parte da UFSB. 
A programação do Fórum foi riquíssima, pois contou com mesas redondas, oficinas, rodas de diálogo além de espaços auto gestionados que discutiram assuntos pertinentes a cada segmento, pertinentes também a região e a Universidade (como por exemplo a Audiência Pública que tratou dos cursos de segundo e terceiro ciclo). 
A partir disso, posso então falar do espaço que eu estive presente e me fiz delegada para a etapa geral em Porto Seguro: O segmento de juventude. 
O espaço foi composto por cerca de 160 jovens da região, incluindo jovens indígenas, jovens quilombolas, jovens mulheres, jovens LGBT, jovens de assentamentos e da luta pela terra, jovens secundaristas, jovens universitários. Por isso já percebemos o quão diverso foi o espaço... E por esse motivo, nos dividimos em subgrupos. 
Fomos então orientados a realizar uma atividade em grupo, com os subgrupos misturados. Dessa forma, em um grupo teríamos jovens de todos os subgrupos representados. Nessa atividade, deveríamos conversar nos grupos e pensar em 2 demandas que elegêssemos serem de urgência para a nossa juventude, e no final elegeríamos um representante de cada grupo para apresentar as propostas. 
Ao meu ver, essa atividade foi bastante produtiva e garantiu a representatividade de toda a juventude, além de nos dar a voz para falarmos das nossas carências, do que sentimos falta para a juventude na região cacaueira. Além de incentivar a liderança juvenil. 
No segundo dia, ocorreram as eleições para delegados. No nosso espaço, ocorreu tudo de forma muita tranquila e democrática. 
E no encerramento, cada eixo teve a oportunidade de apresentar suas propostas mais votadas para todos os outros eixos e outros participantes do fórum. 
Bem... Em minha opinião, o Fórum foi um exemplo de troca com a região: Nos levou para ouvirmos, mas também para escutar-nos. Para prestarmos atenção nas realidades que aqui e existem e muitas vezes ignoramos por acharmos que são realidades extremamente distantes. Serviu também para nos mostrar o quanto é importante a gente mostrar que tem voz, e para além de ter voz, temos algo a ser dito. Nos mostrou a importância de nos articularmos enquanto sociedade civil, de criarmos lideranças para fazermos nossas reivindicações. 
Sou muito grata ao fórum e a UFSB por ter nos proporcionado esse rico espaço de conhecimento e debate e daqui seguimos para a etapa geral em Setembro. 

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Sobre seres invisibilizados e silenciados.

Lixão: local em que é depositado todo o lixo de determinadas regiões, ambiente que a maior parte da população normalmente desconhece e sente asco só de ouvir falar. Nesse mesmo local se encontram pessoas, famílias, que sempre estão sendo invisibilizados, pois quando se fala do lixão, ninguém pensa nos seres, sujeitos que constroem suas histórias naquele ambiente.
Acho que em primeiro lugar os três documentários tem uma importância social impar: mostrar que existem humanos naquele lugar para o resto da sociedade. Claramente cada documentário abordou a questão de forma bastante distinta. A abordagem que mais me chamou atenção foi o de "Boca de lixo" e "Ilha das flores" porque eles deram voz as pessoas que trabalham boa parte de seus dias no lixão, dando visibilidade e a oportunidade de contar um pouco da história de cada um, assim como suas motivações, seus desejos, sonhos...
Quando assistimos aos documentários, imagino que todos tenham passado por experiências parecidas: foi o ponto de partida de muitas reflexões, reflexões essas que geraram um tantão de questionamentos. O questionamento que ficou martelando em minha mente foi: as pessoas que ali se encontram são felizes como dizem? Estão ali porque realmente querem? E cheguei a conclusão que não dá pra tirarmos nossa vida, nossas vivências e nossa história de parametro para medir a felicidade de ninguém. É algo muito subjetivo, então eu creio que aquelas pessoas que se dizem felizes, podem de fato estar felizes conseguindo seu dinheiro todo dia e vivendo um dia de cada vez. As pessoas encontram a felicidade naquilo que elas conhecem, estão familiarizadas. O segundo questionamento me foi mais dificil de responder, talvez porque eu ainda esteja quebrando essa caixinha para enxergar além da minha visão. Mas ao que me parece não acho que esse pessoal tenha tido outra opção, ou outras oportunidades. De fato, alguns protagonistas dizem que trabalharam em casas de família mas gostavam da liberdade de não ser um "mandado". Mas então de que oportunidade estamos falando? Da oportunidade de trabalhar para cuidar da casa de outras pessoas, que muitas vezes nem perguntam como você está e estão pouco se lixando para o seu bem estar? Porque ao que me parece, isso não é uma oportunidade tão distante de ganhar sua vida trabalhando no lixão.
O problema que analisei (e possivelmente estou errada) é que as pessoas que lá estão tiveram direitos e oportunidades negados desde cedo. Não tiveram acesso a educação, nem a alimentação de qualidade. Suas histórias apesar de tão diferentes, devem ter muitas similaridades, de carência, de falta, de negligência do estado e da sociedade.

No fim, a questão é sempre muito política e social: até quando vamos negligenciar as pessoas que estão marginalizadas e fingir que elas não existem? Que elas não tem uma história pra contar?